quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Cristo não é Senhor dos que correm, mas dos quais se compadece



Por Jorge Fernandes Isah 


Há um trecho na Escritura que sempre me comoveu desde que o li, a primeira vez, logo após a minha conversão. As palavras de Jesus soavam duras demais para os meus ouvidos sensíveis e pouco acostumados com a verdade; e não considerava o caráter justo de Deus, muito menos a sua obra como eficaz, na qual ele veria o fruto do seu trabalho e se satisfaria; o que vale dizer que Cristo considerou a sua obra concluída, acabada e não por terminar, como querem alguns, ainda que inconscientemente [Is 53.11].

A maioria utiliza-no em seu caráter santificador, com perguntas do tipo: Você conhece Jesus?... Você obedece a Deus?... O seu entendimento sobre Cristo é apenas cognitivo?... Quando vai conhecê-lo em seu coração? Ou afirmações parecidas com: Você tem de viver o Evangelho... Não basta crer, pois até os demônios crêem... O seu relacionamento tem de ser pessoal com Deus. E por aí afora...[1]

Não estou dizendo que as perguntas e as afirmativas estão erradas, mas elas falham em compreender algo fundamental e que tem sido relegado a um ponto senão obscuro, ininteligível, para nós; e toda vez que o trecho é comentado ou usado, emprega-mo-lo como se destinado exclusivamente para fariseus, hereges e ímpios; porém há algo muito mais fantástico em sua sentença, algo que me emociona sobremaneira, hoje mais que ontem: o esforço pessoal é irrelevante para Deus, pois importa-lhe tão somente os eleitos, aqueles que escolheu por sua vontade. E ponto final.

Estou a defender o antinomismo? De forma alguma! Acontece que a lei não é objeto de salvação, mas o salvo tem prazer em cumpri-la[2]. Enquanto, para o ímpio, resta obedecer-lha, em seu caráter temporal, para não ser punido, sem que haja qualquer prazer em sujeitar-se. E nem mesmo a lei é o que separa eleitos de réprobos, salvos de condenados, mas a eleição eficaz de Deus, a qual determinou a condição de cada um dos seres humanos; como está escrito: “E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo... Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” [Mt 25.33, 34, 41]. Os santos não foram incluídos no Reino por um sistema de recompensa, como uma “bonificação” aos obedientes, um prêmio aos que se mantêm fiéis a Deus; mas o Reino foi criado para os eleitos, os santos, antes da fundação do mundo, como o lugar onde todos os escolhidos reinarão“com toda a sorte de bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” [Ef 1.3]. Por isso, ele nos elegeu antes da Criação, para sermos “santos e irrepreensíveis diante dele em amor” [Ef 1.4]; e “nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado” [Ef 1.5-6].

A ação divina não é passiva, do tipo, Deus viu que o homem se salvaria, se santificaria, se esforçaria em entrar no Reino, aceitaria-no e, então, somente então, Deus o predestinaria e o elegeria. Mas que eleição é essa onde o eleito é quem se auto-predestina? Onde o escolhido se auto-escolhe e impõe a sua escolha por seus próprios méritos para aquele que o predestinou? O que vem primeiro, a predestinação ou o esforço do eleito em satisfazê-la, e por isso, ser predestinado? Seria o mesmo que dizer que alguém se afogou antes de entrar na água. A predestinação, por mais que se queira distorcer o seu sentido, tem somente uma definição, de acordo com o Priberam:

predestinar - (latim praedestino, -are)
v. tr.
1. Eleger desde a eternidade (ex.: afirmou que Deus predestina os justos).
2. Destinar para grandes coisas ou para determinado fim. = eleger
3. Destinar com antecedência


Ora, predestinar é claramente a atitude de destinar antecipadamente, de previamente decidir, e não o ato de antever o que irá acontecer e então determinar que aconteça. E, então, fica a pergunta: quem garantiu que o evento aconteceria? Deus? O homem? O acaso? Forças impessoais? Ou a cooperação mútua dessas forças? O que não entendo é: se Deus viu o que iria acontecer, como algo certo, visto tê-lo previsto, por que o determinaria já que o fato é, em si mesmo, exequível em sua realização, e não dependeu da sua vontade ou decisão para ser observado? Pelo contrário, o fato previsto seria soberanamente livre, impedindo que Deus agisse para mudá-lo, ainda que não fosse do seu agrado. Isso não levaria à conclusão de que esse "Deus" antes de ser pessoal é um "Deus" impessoal? E a presdestinação, assim como a eleição, não passaria de uma piada sem graça, um xiste, que tornaria esse "Deus" num mero espectador, a endossar obrigatoriamente até mesmo o que lhe contrariaria? Em outras palavras, a sua soberania seria uma lenda, e tudo, desde a Criação, teria de ter outra explicação; tudo, na verdade, não poderia vir da vontade desse "Deus", mas de outra força, pois o que ele faz é consentir que cada evento ocorra como visto, e a sua vontade seja adequada a cada evento de tal forma que eles permaneçam imutáveis. A vontade dele se subordinaria à inexorável realização do ato antevisto. Por todos os lados, o que temos aqui não é o Deus bíblico, mas um "Deus" impotente, escravo da visão; um "Deus" transitivo quando a revelação nos apresenta o Deus intransitivo, completo e perfeito em si mesmo. Contudo, estou saindo do foco desta postagem, ainda que este seja um elemento pertinente a ela...

Voltando à vaca-fria, do ponto de vista humano, seria possível se equilibrar em uma corda-bamba, sem pára-quedas, dez mil pés de altitude, com ar rarefeito, rajadas fortes de vento, chuvas, gelo, e a gravidade puxando-o incontinênti para baixo?[3]. Como manter-se assim, por si só? Quais forças o sustentariam, impedindo-o de despencar em queda-livre? De ser tragado no espaço? Essa é a condição do homem diante do pecado e da condenação; fatalmente será sugado por eles, destruído, se Deus não agir ativamente, em todo o processo, sustentando-o na corda-bamba. Na verdade, ele nos tirou dela, e nos colocou são e salvos no chão, em terra firme, enquanto quem tomou o nosso lugar foi Cristo. E os ímpios? Os que não se esborracharam ainda no chão? Estão precipitados no ar, a espera de juntarem-se aos corpos estatelados no abismo.

Mas, esse não é o trecho em questão, que me comoveu nos últimos anos. Então, qual é?

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” [Mt 7.21]

Bem, a exigência de obediência está evidente, não é? Claro! Somente entrarão nos céus aqueles que fazem a vontade do Pai, certo? Sim. Então, onde está o problema apontado por você? De haver uma leve distorção nesse ensino? Respondendo a mim mesmo, pergunto: quem faz a vontade do Pai? Alguém, entre nós, é capaz disso? Há de se entender que a vontade divina não é uma parte, nem fração ou divisão. Não são peças de um quebra-cabeças que se vai montando; ela é pronta e acabada, não restando o que pôr ou retirar. O Senhor referiu-se a ela como “a vontade”, única, inseparável, não-repartida. Assim, quem se habilita ao Reino dos céus?

Seguindo o esquema soteriológico vigente no presente século, Cristo morreu por todos, e cabe a cada um dentre todos, alcançá-lo por seus próprios meios, como um feito, uma obra pessoal. Segundo esse mesmo sistema, o homem pode conseguir salvar-se mas pode perder-se novamente ao falhar em cumprir a vontade do Pai. Mas não bastaria uma falha para tudo ir por água abaixo? Ou seja, mesmo que Cristo tenha morrido por todos, é possível que ninguém seja salvo, pois o princípio da obediência é a vontade divina como um todo, completa, não uma partícula, não uma seção; visto a salvação vir pela fé em Cristo, mas a fé não ser suficiente, pois se tem de, ainda que seja no ato inicial, alcançá-la pelo esforço individual de aceitar aquilo que está sendo proposto.

O arrependimento não justifica o erro, nem pode anulá-lo. O arrependimento é o agradecimento por, ainda que errando, Deus nos haver perdoado; é o reconhecimento daquilo que fez ao anular a dívida que tínhamos, pelo sacrifício de Cristo na cruz. O arrependimento não pode nos livrar da condenação, por isso, Judas permaneceu condenado em seus pecados, mesmo reconhecendo seus erros. Uma dívida não pode ser paga a menos que seja quitada. Como não nos foi possível remi-la, Jesus tomou o nosso lugar e, "havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz" [Cl 2.14]; perdoando-nos todas as ofensas. Elas foram pagas de uma só vez, pela obediência completa do Filho de Deus, não sendo possível imputar a quem foi perdoado nova condenação. No tribunal de Cristo não há recursos nem apelações, dívida paga, dívida quitada, não há débitos, nem a possibilidade de serem reavidos, cobrados e pagos outra vez. Por isso, Paulo diz que é impossível ao salvo recair e ser novamente renovado para o arrependimento; se tal coisa acontecesse, "de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério" [Hb 6.6].

Voltando ao exemplo do homem em queda-livre, sem pára-quedas, o que pode ele fazer além de esperar por um milagre? Nada. É o caso do homem em relação à sua salvação. Não lhe resta nada a fazer, pois o que foi feito por Cristo é plenamente eficaz, de tal forma que nenhum acréscimo é-lhe permitido, sendo perfeito, e ao perfeito não se adiciona coisa alguma. Porque ele, e somente ele, foi capaz de satisfazer toda a vontade do Pai; de obedecê-la integralmente, sem falhas nem tropeços, equilibrando-se na corda-bamba de ponta a ponta, dominando-se a si mesmo sem inclinar-se para um lado ou outro do abismo. Por isso, tem a autoridade para responder aos réprobos: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” [Mt 7.22-23].

Há alguns aspectos a serem abordados aqui:
1) Ímpios podem ser usados por Deus para fazerem a sua obra, segundo a sua vontade, já que também são servos, como tudo o que foi criado está-lhe sujeito e a servi-lo. Portanto, haverá nessa lista de “desconhecidos do Senhor”, pastores, missionários, teólogos, e mesmo pessoas que, aos olhos humanos e carnais, eram irrepreensíveis, assim como Paulo era entre os judeus [Fp 3.6].
2) Eles podem fazer muitas coisas, como: profetizar, expulsar demônios e outras maravilhas, mas isso não lhes assegurará a participação no Reino; evidência de que, como disse no início deste texto, Deus não se importa com o nosso esforço pessoal, o qual nada vale se não for como conseqüência dele nos conhecer, predestinar, chamar, justificar e glorificar; verbos que guardam em si ações diretas, ativas de Deus na vida daqueles que destinou a “serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” [Rm 8.29].
3) A despeito de tudo o que fizeram, em nome de Cristo, ele lhes dirá abertamente:“Nunca vos conheci”. Essa afirmação guarda um tesouro, não para os desconhecidos, mas para os conhecidos. Dirão alguns que isso é a prova da presciência, da antevisão divina, assim como um vidente vê o futuro, apenas e tão somente, sem poder intervir nele. A palavra “conheci” procede do grego ginosko[4]indicando “ter a ver com”, “conhecer pessoalmente”. Cristo quis dizer que “não tinha nada a ver com aqueles homens”, “que nunca teve nada a ver com eles”, “que os desconhecia”, por isso deviam apartar-se dele. Fica a pergunta: se Cristo morreu por eles, como era possível que não os conhecesse e tivesse um conhecimento pessoal? Em contrapartida, aqueles que “conhece”, têm tudo a ver consigo, são-lhe íntimos, têm uma relação estreita, ao ponto do Pai vê-los por intermédio do Filho, que satisfaz a sua vontade. E a satisfez plenamente na cruz, ao morrer por aqueles que o Pai lhe deu, os quais jamais se perderão e sairão das suas mãos. Cristo morreu por suas ovelhas apenas, não por todas, e ele mesmo se encarregou de agregar as que ainda não estavam em seu aprisco... e elas ouvirão a sua voz, “e haverá um rebanho e um Pastor” [Jo 10.16]. Por isso, Cristo ainda diz: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós... Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” [Jo 15.16, 17.9].

A relação aqui é de posse; somos de Cristo, assim como somos do Pai, o mundo não é de Cristo, no sentido específico da salvação, do ato expiatório do Senhor ser objetivado aos eleitos, e não à humanidade genericamente. Somos de Cristo, pois, por nós, morreu, resgatando-nos com o seu próprio sangue [At 20.28]. A segurança do eleito está nele, o qual nos conhece, e destinou-nos infalivelmente a que o conhecêssemos. Em outras palavras, Cristo nos conhece, e não há a menor chance daqueles que conhece não o conhecê-lo. Por isso, além de revelar a qualidade moral da obediência [no que todos os cristãos concordam], a qual é o padrão para fazer parte do Reino, incontestavelmente o trecho da Escritura reivindica a salvação e a reprovaçao como escolhas diretas de Deus sobre os homens, adquirindo o sentido exato de que a verdade comunicada é esta: “assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que se compadece... Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer” [Rm 9.16, 18].

O que o Paulo quer dizer com isso? Você curou? Ótimo, mas não confie na cura que fez... Profetizou? Não confie em sua profecia... Expulsou demônios? Isso não lhe garante nada... Fez milagres? Cuidado!.. Fez maravilhas? E daí?... Se Deus falou por intermédio de uma jumenta, e usou ímpios como Ciro, Balaão e Judas para realizarem feitos muito maiores do que esses; por que não pode usá-lo? E, mesmo assim, nem o animal ou aqueles homens foram salvos, antes foram condenados, “para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama” [Rm 9.11]. Logo, o que impede Deus de usá-lo na pregação, no evangelismo, no sustento ministerial, e ainda assim condená-lo?

Para concluir, mais duas colocações:

Primeira, como já disse, não estou defendendo nenhum conceito antinomiano, nem de que as exortações da Bíblia para que busquemos a Deus, obedeça-mo-lo, e sejamos santos como ele é santo, são inúteis e incapazes de serem cumpridas. Nada disso! A obediência não é um salvo-conduto para se ingressar no Reino, pelo contrário, se não houver o chamado divino, e Deus não o capacitar a realizar esses e outros feitos para a sua glória, nem mesmo a maior de todas as maravilhas o impedirá de ir para o inferno. Servir a Deus e ser-lhe obediente são consequências e não causas da salvação. O eleito, após a regeneração, deverá buscar, se esforçar, e lutar para, dia após dia, ser transformado à imagem de Cristo, não como algo intrínseco à sua natureza, mas como dádiva do Senhor pela qual somos, nos movemos e existimos. Em outras palavras, se o eleito busca, se esforça e luta para ser como o seu Senhor, é porque Deus opera nele até mesmo nos pensamentos e desejos menos evidenciáveis, de tal forma que se cumpra a promessa de Deus tê-lo elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade... para alcançar a glória de nosso Senhor Jesus Cristo [2Ts 2.13-14].

Segunda, o entendimento da soberania de Deus não é algo que pode ser mudado conforme a nossa conveniência. Algo que sempre me trouxe paz é saber que, mesmo numa eventual não-eleição [como uma hipótese], e sendo condenado ao fogo do inferno, eu daria glória a Deus, bendiria-o, e declararia a todos a sua santidade, perfeição, justiça, mesmo em meio as labaredas eternas, pois a sua vontade irretocável cumprir-se-ia soberanamente.

Com isso, não estou a duvidar da minha salvação e eleição, mas reconhecer que o Senhor permanece o que é e sempre foi, que a sua natureza não pode ser abalada em nenhum aspecto, ainda que o inferno fosse o meu destino. Não está errado reconhecer a justiça e perfeição divinas por nos salvar; mas o fato de não ser salvo, e estar destinado à condenação, não o tornaria injusto, mau ou tirano. Por ser essa a sua vontade e, portanto, santa e perfeita.
Fazendo uma analogia, utilizando-me de um trecho do livro de Jó, Deus permanece Deus a despeito da minha condição e situação, pois "nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor" [Jó 2.21].

Ele entendeu isso. Cabe-nos fazer o mesmo.

Notas: [1] Este texto é a segunda parte, a continuação, ao entitulado “Deus não faz acepção de pessoas”.
[2] Escrevi sobre a lei, dizendo que ela sempre tem o caráter de condenar e jamais salvar em “Lei e Graça: revelação divina”
[3] Analogias não são totalmente eficientes e confiáveis quando relacionadas ao texto bíblico, mas podem nos dar uma idéia do que ela está dizendo, facilitando o entendimento; sendo as analogias falíveis, como falível é o nosso pensamento.
[4] Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, pg 398, Editora Vida Nova
Fonte: KÁLAMOS 

sábado, 11 de dezembro de 2010

DISCÍPULOS OU PROSÉLITOS ?

Por Bruno Saavedra


Há cristãos que são partidários aguerridos, que defendem com unhas e dentes aquilo que acreditam ou aquele grupo do qual fazem parte. Esse tipo de seguidor é aquele buscado pelos fariseus mencionado por Jesus em Mateus 23:15:


Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas, porque percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, vocês o tornam duas vezes mais filho do inferno do que vocês




A versão J.F. Almeida Revista e Atualizada usa o termoprosélito, em vez de convertido. Prosélito vem do grego proselutos e significa “aquele que chegou, estranho” (Dicionário Vine). Em contraste, encontramos outro termo no Novo Testamento: discípulo. Este termo ocorre ocorre 257 vezes no Novo Testamento. Segundo o Easton’s Bible Dictionary, um discípulo de Cristo é alguém que (tradução nossa):
Acredita nos ensinos de Cristo, crê em seu sacrifício, recebe seu espírito e imita seu exemplo.

Proselitismo versus discipulado


A diferença nítida entre um prosélito e um discípulo, a meu ver, é sua disposição em aprender. Um prosélito (a partir da acepção de Mateus 23:15) tem fé cega. Segue alguém sem questionamento e seu mestre gosta disso. É um indivíduo que crê somente, tem pouca disposição em questionar. Vê em qualquer atitude de questionamento e dúvida uma atitude de rebeldia. Partidos políticos gostam de prosélitos (vulgo militantes). Verdadeiros mestres não.


Verdadeiros mestres gostam de discípulos. Discípulos são aqueles que têm sede de conhecer. Questionar não é visto como rebeldia, mas como a busca sincera de um coração que quer a verdade. Discípulos são alunos, amam aprender e vivem buscando formas de praticar a justiça.


Jesus nos mandou buscar discípulos (Mateus 28:19).


Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo
Jesus não nos enviou a conquistar prosélitos. Jesus não quer em sua igreja “vaquinhas de presépio” ou “papagaios de pirata”. Ele deseja que aqueles que O seguem sejam alunos e professores ao mesmo tempo. Jesus quer ver seus filhos como leitores atentos de Sua Palavra e não seguidores cegos de lideranças religiosas que só sabem manipular suas mentes e seus corações. 


O Senhor deseja homens que pratiquem a justiça, amem a fidelidade e andem com Ele em humildade (c.f. Miquéias 6:8).



O exemplo dos bereanos
Um exemplo muito claro de discipulado real foi aquele encontrado na cidade de Beréia. Ora, os bereanos não eram melhores que quaisquer outros povos que receberam o evangelho. Contudo, ao entrarem em contato com os mensageiros de Cristo, não acreditaram prontamente neles. 


Antes duvidaram e isso não foi visto como rebeldia, mas como a busca sincera pela verdade. A disposição de buscar informações para validar o que ouviam foi tamanha que foram dignos de um elogio registrado na Escritura (Atos 17:11). Eles foram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo. 


Quando vejo, em algumas igrejas, pessoas muito mais dispostas a seguir um líder ou um ensinamento apregoado e não verificar se as coisas são de fato como se afirma ser, entristeço. Não acredito que uma vida cristã consistente pode ser conseguida a partir da acomodação. 


Como podemos defender algo de maneira equilibrada e serena se pouco se analisou aquilo que dizemos acreditar? 


Frases como “Meu pastor disse isso, então acredito” ou “Minha igreja pensa assim, logo deve ser verdade, pois tantas pessoas não podem estar enganadas...” me entristecem. Não era isso que Jesus queria. Ele não quer meros seguidores desprovidos de senso crítico. 


Não me parece Sua vontade ter seguidores prontos a aceitar sem questionar o que lhes é pregado (imposto?). Não se acanhe diante de um “falso líder” ou “falso profeta” interessado única e exclusivamente em arrebanhar mais ovelhas para sua congregação (e aumentar suas ofertas). 


Estude, leia, pesquise, conheça. Adote o “ceticismo de Beréia”.


 Não queremos dizer que você deve duvidar de tudo, mas enfatizar que um discípulo de Cristo toma uma posição esclarecida com relação à igreja e em relação à Palavra de Deus.


Bruno Saavedra, via e-mail, para o Púlpito Cristão

terça-feira, 7 de setembro de 2010

DIGA ADEUS AOS PREGADORES INTOCAVEIS


Deus está sacudindo a Sua Igreja e está removendo a corrupção.
Mas nós compartilhamos a culpa por dar aos charlatões um púlpito.



Al Capone controlou tudo em Chicago de uma so vez . Em 1920 o notório gângster, subornou o prefeito da cidade, comprou a polícia e, acima de todos, presidiu como rei em um império de cassinos, gravadoras e operações de contrabando. Durante anos  ele evitou as balas e viveu acima da lei — e ganhou o apelido de "intocável" porque ninguém o podia levar a justiça.



Finalmente, antes de   ir para prisão em 1932, Capone justificou seus crimes dizendo: "Tudo que eu faço é satisfazer a uma demanda pública." Ele não assumiu responsabilidade pela dor que causou porque ele sabia que os prefeitos, policiais, líderes de comunidade e contrabandistas o apoiaram todo o tempo .



Não existe maneira pelo qual nós podemos saber quantos incrédulos rejeitaram o evangelho porque viram uma igreja que apoiava curandeiros que se vangloriavam, mentiam, lisonjeavam, subornavam, roubavam e em prantos imploravam ao modo deles, nossas vidas — enquanto isso, nós os aplaudíamos e lhes enviávamos dinheiro. 

Eu odeio comparar qualquer ministro de Deus com um gângster. Mas a triste verdade é essa, hoje há um punhado (bem, talvez mais) de pregadores sem escrúpulos que compartilham a maioria das características asquerosas de Al Capone.

Eles são notoriamente gananciosos. Eles são os mestres da decepção e da manipulação.

Eles adquiriram esse jeito na subcultura religiosa carismática e usam sua habilidade hipnótica e misteriosa para controlar as principais redes de TELEVISÃO Cristãs.



E, como Capone, os seus dias estão contados. A Justiça os alcançará logo.



Estes falsos profetas provavelmente começaram com uma chamada genuína de Deus, mas o sucesso os destruiu. Eles desviaram-se da verdadeira fé por fama e dinheiro, e quando os seus ministérios cresceram rapidamente eles bolaram um jeito para manterem suas máquinas (de ganhar dinheiro) andando.

Agora, no meio da Grande Recessão, Deus os está cercando.



Mas antes de nos alegrarmos porque estes impostores estão sendo afastados dos seus púlpitos e tirados fora do ar (TVs), apertemos o botão de pausa e reflitamos. Como estes falsos pastores alcançaram tal fama? Isto não poderia ter acontecido sem nossa ajuda.



Nós acreditamos neles! Quando disseram: "O Senhor lhe promete riqueza sem medida se você simplesmente doar agora mesmo mil dólares", nós fomos aos telefones e fizemos as doações em nossos cartões de crédito.  Deus nos perdoe.



Nós não tivemos nenhum discernimento. Quando eles disseram: "eu preciso de seu sacrifício hoje, assim eu posso consertar meu jato privado", nós não questionamos porque um servo de Deus não era humilhe bastante para voar a uma nação do Terceiro Mundo em classe econômica?  Deus nos perdoe.



Nós fomos tolos. Quando foi revelado que eles estavam vivendo em imoralidade, maltratando suas esposas ou povoando cidades com crianças ilegítimas, nós escutamos a desculpa deles em vez de exigir que aqueles líderes de ministério agissem como cristãos.   Deus nos perdoe.

Nós fomos ingênuos. Quando eles imploraram por mais 2 milhões de dólares em doações por causa de um déficit de orçamento, não nos sentíamos confortáveis para perguntar por que eles estavam daquele apartamento de hotel de 10 mil dólares por noite?



Na realidade, se nós questionássemos isto, outro cristão diria rápido, não critique! A Bíblia diz, “Não toque no ungido do Senhor! “   Deus nos perdoe.

Nós tratamos estes charlatões como Al Capone — como se eles fossem intocáveis — e como resultado a corrupção deles se esparramou por todas as igrejas carismáticas como uma praga (peste).

Nosso movimento esta sendo corroído com materialismo, orgulho, decepção e pecado sexual porque nós tivemos medo de chamar este Bozos (palhaço americano que originou o Bozo brasileiro) isso que eles realmente são — inseguros, egoístas, egocêntricos e emocionalmente desequilibrados.

Se nós tivéssemos aplicado discernimento bíblico a muito tempo atrás nós poderíamos ter evitado esta bagunça.



Quando os cristãos bem-intencionados citam que 1Crônicas 16:22 (não "toque em meu ungido, e não faça a meus profetas nenhum dano", NASB) encobrindo a corrupção ou charlatanice, eles fazem uma horrível injustiça a Bíblia. Esta passagem não nos exige que fiquemos quietos quando um líder estiver abusando do poder ou enganando pessoas.

Pelo contrário, nós somos chamados para confrontar pecado em um espírito de amor e honestidade — e nós não estamos mostrando amor certamente para a igreja se nós permitirmos o Al Capone carismático de nossa geração corrompe-la .

J. Lee Grady, editor contribuinte de Carisma e autor do livro “O Espírito Santo não está à venda.”  Siga no Twitter como leegrady.



"Diga adeus aos pregadores intocáveis"

Say Goodbye to the Untouchable Preachers


Wednesday, 04 August 2010 09:12 AM EDT Felicia Mann Newsletters - Fire In My Bones

God is shaking His church and removing corruption. But we share the blame for giving charlatans a platform.

Al Capone once controlled all of Chicago. The notorious 1920s gangster bribed the city's mayor, bought the police and presided as king over an empire of casinos, speakeasies and smuggling operations. He dodged bullets for years and lived above the law—and earned the nickname "untouchable" because no one could bring him to justice.

Before Capone finally went to prison in 1932, he justified his crimes by saying: "All I do is satisfy a public demand." He didn't take responsibility for the pain he caused because he knew mayors, policemen, community leaders and bootleggers supported him the whole way.

"There is no way we can know how many unbelievers rejected the gospel because they saw the church supporting quacks who swaggered, bragged, lied, flattered, bribed, stole and tearfully begged their way into our lives—while we applauded them and sent them money."

I hate to compare any minister of God to a gangster. But the sad truth is that today there are a handful (well, maybe more) of unscrupulous preachers who share some of Capone's most disgusting traits. They are notoriously greedy. They are masters of deception and manipulation. They have bought their way into the charismatic religious subculture and used their uncanny hypnotic ability to control major Christian TV networks.

And, like Capone, their days are numbered. Justice will soon catch up with them.

These false prophets probably all started out with a genuine call from God, but success destroyed them. They were lured away from true faith by fame and money, and when their ministries mushroomed they resorted to compromise to keep their machines rolling. Now, in the midst of the Great Recession, God is closing in on them.

But before we rejoice that these imposters are being removed from their pulpits and yanked off the airwaves, let's hit the pause button and reflect. How did these false preachers ever achieve such fame? It couldn't have happened without help from us.

We were the gullible ones. When they said, "The Lord promises you untold wealth if you will simply give a thousand dollars right now," we went to the phones and put the donations on our credit cards. God forgive us.

We were the undiscerning ones. When they said, "I need your sacrificial gift today so I can repair my private jet," we didn't ask why a servant of God wasn't humble enough to fly coach class to a Third World nation. God forgive us.

We were the foolish ones. When it was revealed that they were living in immorality, mistreating their wives or populating cities with illegitimate children, we listened to their spin doctors instead of demanding that ministry leaders act like Christians. God forgive us.

We were the naïve ones. When they begged for $2 million more in donations because of a budget shortfall, we didn't feel comfortable asking why they needed that $10,000-a-night hotel suite. In fact, if we did question it, another Christian was quick to say, "Don't criticize! The Bible says, ‘Touch not the Lord's anointed!'" God forgive us.

We have treated these charlatans like Al Capone—as if they were untouchable—and as a result their corruption has spread throughout charismatic churches like a plague. Our movement is eaten up with materialism, pride, deception and sexual sin because we were afraid to call these Bozos what they really are—insecure, selfish, egotistical and emotionally dysfunctional.

If we had applied biblical discernment a long time ago we could have avoided this mess. There is no way we can know how many unbelievers rejected the gospel because they saw the church supporting quacks who swaggered, bragged, lied, flattered, bribed, stole and tearfully begged their way into our lives—while we applauded them and sent them money.

When well-meaning Christians quote 1 Chronicles 16:22 ("Do not touch My anointed ones, and do My prophets no harm," NASB) to cover up corruption or charlatanism, they do horrible injustice to Scripture. This passage does not require us to stay quiet when a leader is abusing power or deceiving people.

On the contrary, we are called to confront sin in a spirit of love and honesty—and we certainly aren't showing love to the church if we allow the charismatic Al Capones of our generation to corrupt it.

J. Lee Grady is contributing editor of Charisma and author of the new book The Holy Spirit Is Not for Sale. Follow him on Twitter at leegrady.

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Traduzirei logo para aqueles que quizerem, mais tarde...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

OS 'UNGIDOS' PROPAGADORES DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE.

A idéia principal é de um ser espiritual fora do contexto de igreja de Cristo. Espiritualizações sem Escritura que a sustente, dá nisso.

Essa tal de unção financeira só funciona excelentemente para eles, os inventores, tal qual aquelas correntes e pirâmides que aparecem principalmente em tempos de crise financeira global, em que quem se enriquece são somente os primeiros a entrar no esquema.

O "esquema" deles é melhor ainda, pois não investem nada, só usam o capital alheio.

Sempre destilam a (falsa) idéia de um "super-ser" e acham que foram elevados ao status de "gurus ungidos" com a "última revelação dos últimos dias", (parecida com a última coca-cola gelada no deserto do Saara).  Ou ainda passam a ideia de que somente eles possuem o "segredo da última hora" que lhes foi revelado por "deus".

Iludem enganosamente dando a impressão de que atingiram uma "aura" de santidade, de "iluminação", numa espécie de elite espiritual, que acirra a luta de classes entre os “mais” espirituais e os “menos” espiritualizados.

O poeta Fernando Pessoa escreveu : “Estou farto de semideuses“. E hoje diria: “Onde estão os pastores normais?”. A promessa diabólica proposta no Éden (“Sereis como Deus” Gn.3,5) ecoa, ainda hoje e seduziu a muitos desses pseudos sábios e seus fãs de carteirinha aos quais se associam no interesse de ganho fácil.